quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Como ser um adulto com pensamentos profundos...

Vi esse vídeo e pensei na minha infância... e em quem eu sou hoje.
Uma vez contei essa história para uma amiga e ela achou sensacional... e talvez tenha sido o meu pensamento de "sentido da vida", exatamente como esse gurizinho de 6 anos...
Foi mais ou menos assim...
Eu tinha entre 6 e 7 anos, morava na vila e convivia com crianças e adolescentes mais velhos do que eu.
Eles já estavam naquele papo de se gostar, de dançar juntos nas reuniões dançantes, de responder questionários com os nomes dos guris que tinham interesse.
E eu comecei a achar todo mundo muito bonito... e ao mesmo tempo, me achava muito feia.
Eu era comprida, magrinha, magrinha, magrinha - tipo aquelas criancinhas da Etiópia, só que desbotada - o que pra mim era ainda pior! Sempre achei linda a cor da pele negra.
Então comecei a perceber que ninguém da turma olhava ou se interessava por mim (possivelmente pq eu era a menor, e nada relacionado  a minha magreza... mas isso eu só sei hoje!).
E aí me ocorreu que eu cresceria pra sempre naquela forma, e teria pra sempre aquela invisibilidade... então pensei: "bah, eu tenho que ser muito legal! Ou então eu nunca vou achar um namorado"...
E a partir disso eu comecei a fazer palavras cruzadas com meu pai, e a aprender sinônimos como ninguém.
Pedia pra ele me dar livros de charadas, piadas, humor e passatempos, pq eu imaginava que isso seria legal, e me ajudaria a ser mais legal... a fazer os outros se divertirem.
Li mais da metade da Coleção VagaLume - quem foi criança nos anos 80 deve lembrar - e comecei a escrever melhor. Além dos muitos cadernos de caligrafia que tb me fizeram escrever melhor, mas em outro sentido.
Eu pedi para a minha mãe me ensinar a dançar, a cozinhar arroz e via ela passando as pilchas da domingueira, e então aprendi todas essas coisas só de olhar. Ninguém sabia que aquela atenção toda era um plano secreto. 
Então passei a adolescência, arrumei os dentes (eu tinha diastema, tipo a madonna ou a kara, só que na época era horrível), aprendi que cortar o cabelo era bom, e investi profundamente na minha vida espiritual. Passei 7 anos me dedicando a atividades de oração, retiros, palestras sobre temas bíblicos e espirituais... além do relacionamento interpessoal, que era sempre um desafio no grupo de jovens.
Só depois de adulta melhorei o jeito de me vestir, mas já era bem bom conviver comigo.
Ainda assim, por mais que eu achasse bom, não era ótimo.
Todos os dias o esforço para me sentir bem, para me sentir bonita de novo.
E então, um belo dia, ainda esse ano, resolvi não me importar com o que não consigo mudar...
Na minha aparência: estrias ou joanete... uma perna maior, um pé maior, ninguém é perfeitamente igual dos dois lados... não tem o que eu possa fazer com relação a isso. Lógico que ninguém percebe essas coisas, só eu... e por muito tempo me importei.

Bom, faz parte de mim, da minha natureza... minhas assimetrias... e hoje eu gosto delas.
Gosto de quem eu sou.
Falem o que quiserem... se eu me importo? Claro que sim... mas cada vez menos. E por menos tempo.
Me importa mais aqueles que enxergam minhas assimetrias e percebem o quanto elas me fazem única. Só única, nem mais, nem menos que ninguém. Sem comparações. 

Gosto de aprender sobre mim mesma, isso é ficar mais perto da natureza. Da minha natureza...
O sentido da vida está ao nosso alcance, podemos forja-lo todos os dias...
Para isso mantenho a minha criança interior exploradora.

"Os adultos se esquecem de como o mundo natural funciona, de como compreender a natureza funciona...Continue curioso e terá encontrado sentido para sua vida"




O sentido da vida - Neil deGrasse Tyson

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