domingo, 18 de setembro de 2011

Fernando Pessoa - poesias

Bóiam leves, desatentos,
Meus pensamentos de mágoa,
Como, no sono dos ventos,
As algas, cabelos lentos
Do corpo morto das águas.

Bóiam como folhas mortas
À tona de águas paradas.
São coisas vestindo nadas,
Pós remoinhando nas portas
Das casas abandonadas.

Sono de ser, sem remédio,
Vestígio do que não foi,
Leve mágoa, breve tédio,
Não sei se pára, se flui;
Não sei se existe ou se dói.

Acho que o poeta, assim como eu, já se decepcionou com alguém. A frase mais marcante desse poema pra mim é "Vestígio do que não foi"...
Sempre que penso nas pessoas com que (ou quem?) me decepcionei fico com a sensação: Será que o que foi vivido era verdadeiro???
Nunca saberei.

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