quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Som ou Silêncio?


O elo perdido já não é tão importante... O que as pessoas buscam, na era da tecnologia, do progresso e das grandes cidades é o silêncio. Estamos em busca do silêncio perdido. No trabalho, além do teclado, tem o telefone da mesa, o telefone celular, “zumzumzum” dos colegas. Na rua tem as freadas de pneu, ronco de motores, batidas, aviões, o apito do guardinha que faz a segurança e de repente – uuuééééééééééééééééuuuuuuuu, uma sirene reclama a atenção dos motoristas.

Algumas pessoas quando silenciam se sentem incomodadas, inquietas, ficam irritadas. Outras pagam caro por aulas de yoga, spas na serra ou livros de meditação. Para algumas pessoas, o silêncio é um momento guardado numa memória distante, de uma noite no meio de uma fazenda, há quilômetros da estrada, num lugar onde até os animais sabem ficar em silêncio. Simplesmente uma lembrança distante, sufocada entre a última música da Madonna e o pensamento de como seria enlouquecedor ser surdo.

A poluição sonora, muitas vezes, ultrapassa o limite do suportável e se faz presente em situações que são obrigatórias, como por exemplo para trabalhadores da construção civil, DJs, artistas ou atendentes de pedágio. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o limite tolerável ao ouvido humano é de 65 decibéis. Acima disso, nosso organismo sofre estresse, aumenta o risco de doenças, tanto físicas como psicológicas. Com ruídos acima de 85 decibéis aumenta o risco de diminuição da capacidade auditiva. Para mensurar a amplitude da poluição sonora é simples: quanto tempo de exposição e o qual o nível do barulho a que a pessoa se expõe. Com relação ao trabalho na indústria, não importa enfrentar todos os dias o barulhão de uma montadora de carros, a maioria das pessoas não pensa no futuro.

O que as pessoas fazem para conseguir dormir com vizinhos barulhentos? O que é pior: um bar lotado de boêmios até altas horas, ou cultos religiosos com fanáticos louvando e cantando ao Senhor a plenos pulmões e um sistema de som bem equipado?

Nosso organismo é barulhento: espirro, tosse, estalo dos dedinhos do pé, palmas, pum ou aquele ronco de fome que de vez em quando aparece no estômago... se nosso organismo tem ruídos, nunca conseguiremos silenciar? E no cinema? Temos que parar com o barulho do papel de bala, do saco de pipoca, do finalzinho do refri, simplesmente para ouvir toda a trilha, falas, e efeitos sonoros do filme que vamos assistir. O silêncio é artigo raro nas prateleiras da vida moderna. Silêncio é não ter interferência externa. E os nossos pensamentos? Por vezes são mais barulhentos do que ensaio de escola de samba! Queremos nos livrar disso?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Faça parte da corrente, comente!